uno,
uno sou eu, meu corpo e minha alma
a caneta com que agora escrevo, do
elefante púrpura de metro e meio de
aquando era criança de quatro anos só
o perfeito caos, de movimentos, reacções e energias
no desencadeamento do próprio viver
e o mundo onde posso existir, com seu
chão que piso, e seu céu que sobre mim se estende
a maçã que hoje como, que é a melhor que já comi
a que guardo para amanhã, que será a melhor que comerei
a matéria fria de cada pedra, de cada construção
a beleza íntima de sistina, mahal ou chambord
a luz que do sol transborda,
e por entre janelas trespassa,
iluminando e aquecendo minha casa
sem pedido evidente
a luz do ser, em mim sempre presente
e que no momento do abandonar certo,
da carne fraca e perecível que me compõe,
desposar-se-á na perpetuidade do espírito mãe.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Uma vida normal
Outra vez aquele som irritante, acordas
A custo abres os olhos, não te queres levantar
Apetece-te ficar na cama, dormitar
Mas lá te levantas, é só mais um dia
Rapidamente, lá chegas.
Aquela mesma sala,
Com aquela pessoa de (quase) todos os dias
E ela lá vai falando, e toda aquela sua fala aborrece-te.
Distrais-te, olhas pela janela, está Sol,
Lá de fora algo te parece chamar. Ignoras.
Concentras-te, quem fala merece ser ouvido, merece respeito
E tu tens que a ouvir e respeitar.
Vá, acaba esse esforço necessário, tens tempo para os teus amigos
Eles percebem-te, relaxa, umas quantas boas saídas
Daquelas em que no final só te consegues deitar.
Deixas aquela mesma sala, vais para outras
Sonhavas ser músico ou poeta, seguiste engenharia.
Dizem que tem mais futuro.
Sais de casa, festa e bebida começam a ser rotina
Coleccionas conquistas, sexo também passa a ser rotineiro
Não te significa nada, mas é bom, do outro lado é o mesmo
Porquê preocupares-te?
Sem demorar muito, concluis o teu percurso académico
Os teus pais ficam orgulhosos, tens direito a uma festa
És doutor.
Arranjas emprego num ápice, um bom emprego
Em pouco tempo mudas-te para um apartamento semi-luxuoso,
Nunca tiveste noites tão cómodas.
Aparentemente apaixonas-te, pela primeira vez sentes alguma coisa
Encontram-se umas quantas vezes, tudo corre do melhor
Ou assim te parece
Do nada, ela decide deixar te ver, não te dá explicações
Não tem mal, não te vais abaixo à primeira contrariedade,
És um Homem.
Um dia distrais-te ao atravessar uma estrada qualquer, quando dás por isso só vês uma luz a aproximar-se velozmente e…
Outra vez aquele som irritante, acordaste
A custo abriste os olhos, não te querias levantar
Apetecia-te ficar na cama, dormitar
Ficar na cama? Dormitar? Quanto da tua existência desperdiçaste a não fazer nenhum?Mas lá te levantaste, era só mais um dia
Só mais um dia, que amor ao viver.
Rapidamente, lá chegaste. Aquela mesma sala,
Com aquela pessoa de (quase) todos os dias
E ela lá ia falando, e toda aquela sua fala aborreceu-te.
Distraíste-te, olhaste pela janela, estava Sol,
Lá de fora algo te pareceu chamar. Ignoraste.
Ignoraste. Sempre ignoraste, porque é que nunca saíste?
Aquela sala sempre teve uma porta, que tanto era de entrada ou de saída.
Porque é que nunca a usaste, e respiraste um pouco para variar?
Concentraste-te, quem falava merecia ser ouvido, merecia respeito
E tu tinhas que a ouvir e respeitar.
Nunca pensaste na razão de teres que a ouvir e respeitar?
Acabaste esse esforço necessário, tiveste tempo para os teus amigos
Julgavas que eles te percebiam,
Mas perdeste o número às vezes em que sentias deslocado
Chegavas ao teu quarto, e deitavas-te, sentias-te sozinho, terrivelmente sozinho.
Deixaste aquela mesma sala, foste para outras
Sonhaste ser músico ou poeta,
A tua velha guitarra ficou no sótão a ganhar pó,
Os teus rascunhos foram para o lixo.
Seguiste engenharia,
Nunca te perdoaste por isso.
Diziam que tinha mais futuro,
E tu nunca disseste nada, preferiste sempre ficar calado.
Saíste de casa, festa e bebida começaram a ser rotina
Coleccionaste conquistas, sexo também passa a ser rotineiro
As tuas novas rotinas nunca te deixaram feliz,fizeste com que umas quantas raparigas chorassem por ti.
Fizeste de conta que isso não te importava.
Chegou uma altura em que te olhavas ao espelho com nojo, vias-te como uma pessoa suja e vazia. Talvez o fosses.
Concluíste o teu percurso académico,
Mesmo a tempo,
Estavas a sufocar, não aguentavas mais.
Os teus pais ficaram orgulhosos, tiveste direito a uma festa
Tu, não te sentes minimamente diferente.
Arranjaste emprego num ápice,
Querias tirar um ano para ti, finalmente,
Para viajar,
Para fazer algo que sentisses que valesse a pena,
Resolveste não o fazer,
Tempo para isso no futuro não te faltaria.
Era um daqueles empregos que rendia bem,
Mas te enfadava sem fim,
Pagava as contas e os demais, enfim.Deste por ti num apartamento semi-luxuoso,
Nunca tiveste noites tão amargas,
Fechado sobre aquelas paredes que tanto te custaram,
A tua melhor companhia era o tinto barato.
Apaixonaste-te, pela primeira vez sentistes alguma coisa
Sabes que sentiste alguma coisa, jamais o duvidaste
Encontraram-se umas quantas vezes, tudo corria do melhor
Ou assim te pareceu
Do nada, ela decidiu deixar de te ver, não te deu explicações.
Foste-te abaixo,
Arrogantemente, derramaste as lágrimas na tua almofada de dormir
Já mal suportavas a vida que levavas, e esta foi a última gota que precisavas
Um dia desististe,
Afinal quando é que ela valeu a pena?
Cabisbaixo, numa estrada movimentada, deste um passo em frente.O único que deste.
Só viste uma luz a aproximar-se velozmente e…
Foi inútil.
Outra vez aquele som irritante, acordas
A custo abres os olhos, não te queres levantar
Apetece-te ficar na cama, dormitar
Mas lá te levantas, é só mais um dia
Rapidamente, lá chegas.
Aquela mesma sala,
Com aquela pessoa de (quase) todos os dias
E ela lá vai falando, e toda aquela sua fala aborrece-te.
Distrais-te, olhas pela janela, está Sol,
Lá de fora algo te parece chamar. Ignoras.
Concentras-te, quem fala merece ser ouvido, merece respeito
E tu tens que a ouvir e respeitar.
Vá, acaba esse esforço necessário, tens tempo para os teus amigos
Eles percebem-te, relaxa, umas quantas boas saídas
Daquelas em que no final só te consegues deitar.
Deixas aquela mesma sala, vais para outras
Sonhavas ser músico ou poeta, seguiste engenharia.
Dizem que tem mais futuro.
Sais de casa, festa e bebida começam a ser rotina
Coleccionas conquistas, sexo também passa a ser rotineiro
Não te significa nada, mas é bom, do outro lado é o mesmo
Porquê preocupares-te?
Sem demorar muito, concluis o teu percurso académico
Os teus pais ficam orgulhosos, tens direito a uma festa
És doutor.
Arranjas emprego num ápice, um bom emprego
Em pouco tempo mudas-te para um apartamento semi-luxuoso,
Nunca tiveste noites tão cómodas.
Aparentemente apaixonas-te, pela primeira vez sentes alguma coisa
Encontram-se umas quantas vezes, tudo corre do melhor
Ou assim te parece
Do nada, ela decide deixar te ver, não te dá explicações
Não tem mal, não te vais abaixo à primeira contrariedade,
És um Homem.
Um dia distrais-te ao atravessar uma estrada qualquer, quando dás por isso só vês uma luz a aproximar-se velozmente e…
Outra vez aquele som irritante, acordaste
A custo abriste os olhos, não te querias levantar
Apetecia-te ficar na cama, dormitar
Ficar na cama? Dormitar? Quanto da tua existência desperdiçaste a não fazer nenhum?Mas lá te levantaste, era só mais um dia
Só mais um dia, que amor ao viver.
Rapidamente, lá chegaste. Aquela mesma sala,
Com aquela pessoa de (quase) todos os dias
E ela lá ia falando, e toda aquela sua fala aborreceu-te.
Distraíste-te, olhaste pela janela, estava Sol,
Lá de fora algo te pareceu chamar. Ignoraste.
Ignoraste. Sempre ignoraste, porque é que nunca saíste?
Aquela sala sempre teve uma porta, que tanto era de entrada ou de saída.
Porque é que nunca a usaste, e respiraste um pouco para variar?
Concentraste-te, quem falava merecia ser ouvido, merecia respeito
E tu tinhas que a ouvir e respeitar.
Nunca pensaste na razão de teres que a ouvir e respeitar?
Acabaste esse esforço necessário, tiveste tempo para os teus amigos
Julgavas que eles te percebiam,
Mas perdeste o número às vezes em que sentias deslocado
Chegavas ao teu quarto, e deitavas-te, sentias-te sozinho, terrivelmente sozinho.
Deixaste aquela mesma sala, foste para outras
Sonhaste ser músico ou poeta,
A tua velha guitarra ficou no sótão a ganhar pó,
Os teus rascunhos foram para o lixo.
Seguiste engenharia,
Nunca te perdoaste por isso.
Diziam que tinha mais futuro,
E tu nunca disseste nada, preferiste sempre ficar calado.
Saíste de casa, festa e bebida começaram a ser rotina
Coleccionaste conquistas, sexo também passa a ser rotineiro
As tuas novas rotinas nunca te deixaram feliz,fizeste com que umas quantas raparigas chorassem por ti.
Fizeste de conta que isso não te importava.
Chegou uma altura em que te olhavas ao espelho com nojo, vias-te como uma pessoa suja e vazia. Talvez o fosses.
Concluíste o teu percurso académico,
Mesmo a tempo,
Estavas a sufocar, não aguentavas mais.
Os teus pais ficaram orgulhosos, tiveste direito a uma festa
Tu, não te sentes minimamente diferente.
Arranjaste emprego num ápice,
Querias tirar um ano para ti, finalmente,
Para viajar,
Para fazer algo que sentisses que valesse a pena,
Resolveste não o fazer,
Tempo para isso no futuro não te faltaria.
Era um daqueles empregos que rendia bem,
Mas te enfadava sem fim,
Pagava as contas e os demais, enfim.Deste por ti num apartamento semi-luxuoso,
Nunca tiveste noites tão amargas,
Fechado sobre aquelas paredes que tanto te custaram,
A tua melhor companhia era o tinto barato.
Apaixonaste-te, pela primeira vez sentistes alguma coisa
Sabes que sentiste alguma coisa, jamais o duvidaste
Encontraram-se umas quantas vezes, tudo corria do melhor
Ou assim te pareceu
Do nada, ela decidiu deixar de te ver, não te deu explicações.
Foste-te abaixo,
Arrogantemente, derramaste as lágrimas na tua almofada de dormir
Já mal suportavas a vida que levavas, e esta foi a última gota que precisavas
Um dia desististe,
Afinal quando é que ela valeu a pena?
Cabisbaixo, numa estrada movimentada, deste um passo em frente.O único que deste.
Só viste uma luz a aproximar-se velozmente e…
Foi inútil.
«Desabafo»
Ora bem, uma das minhas características é que eu, quando tenho algo para dizer, tenho mesmo de o dizer, senão não me sinto bem comigo própria. E calharam vocês na rifa (não se assustem, já vão perceber o porquê :p ), por isso aqui vai:
Com a minha melhor amiga em Londres e um namorado que só me critica, sinto-me só, abandonada. Sinto-me triste e não tenho com quem desabafar. Sinto falta de rir (ai, as saudades que tenho de uma boa gargalhada), de falar. Preciso dum ombro para chorar, alguém que me oiça gritar, disparatar, praguejar. Estou farta de parecer um fantasma, de ser ignorada, esquecida. Quero ser vista, quero ser ouvida, quero ser reconhecida. Quero viver.
p.s.- como podem ver, até nos meus «desabafos» sou um tanto quanto dramática (outra das minhas características - vivo as coisas muito intensamente, dando-lhes, por vezes, mais importância do que, de facto, têm).
Com a minha melhor amiga em Londres e um namorado que só me critica, sinto-me só, abandonada. Sinto-me triste e não tenho com quem desabafar. Sinto falta de rir (ai, as saudades que tenho de uma boa gargalhada), de falar. Preciso dum ombro para chorar, alguém que me oiça gritar, disparatar, praguejar. Estou farta de parecer um fantasma, de ser ignorada, esquecida. Quero ser vista, quero ser ouvida, quero ser reconhecida. Quero viver.
p.s.- como podem ver, até nos meus «desabafos» sou um tanto quanto dramática (outra das minhas características - vivo as coisas muito intensamente, dando-lhes, por vezes, mais importância do que, de facto, têm).
Nada me parecia mais sincero do que as tuas palavras reconfortantes - preenchiam o vazio dentro de mim e, a seu tempo, tornaram-se essenciais, imprescindíveis. Tínhamos longas conversas sobre tudo, sobre nada, sobre um copo meio cheio ou um copo meio vazio. Agora, tudo é nada e todos os copos estão vazios. Faltam-me as tuas palavras reconfortantes, faltam-me os teus braços quentes em redor do meu corpo gelado. Faltas-me. Secretamente, ainda sinto a falta do tudo que me davas, mas cansei-me de to pedir de volta. Foste cruel e quase transformavas o tudo em nada. Prefiro ter-te como memória de tudo, do que como um nada real.
Amizade, Sinceridade e Adeus...
Qualquer outra coisa que pudesse dizer nada ia fazer. Todos os momentos em que te ris-te comigo, apagaram os maus em que não chorei com um amigo. Sempre fui mais que um filho teu, um mero plebeu com muita honra no seu... Destino de te ter conhecido, alguém que do nada se transformou em tudo, que do tudo se tornou veludo, macio e reconfortante como sempre o foste para mim. Custa-me, tira-me do sério todo o mistério do grave como a trave que me prevém de sentir de novo o teu bem. O teu bom espírito, implícito no teu ser, o comer que fazes com toda a tua alma sem sequer o ver. Os momentos que se transformam em tempos que ultrapassam os ventos, que se cravam na minha memória. São traumas que tormentam as almas das calmas salas de estar sem estar. O corpo pode estar presente e do corpo quente energia pode fluir, mas o meu coração está-se a destruir. O meu ser são foi destruído com um só toque do teu coração pequeno e rezingão que teima a negar o adeus, a ti e a todos os teus próximos que também são meus e preocupa-me um verão que terão sem a tua presença. Os meus pêsames. O seu não dessa tal aceitação.... Algo que me faz escrever incessante, tenho uma necessidade constante. E esse beijo num instante, que foi extremamente reconfortante.
Fronteira
Parei. Para lá das ramagens das árvores existia um lugar que eu não conhecia. Um lugar que para mim era um não lugar, porque eu não o conhecia. Por isso, tudo o que estava para lá das ramagens das árvores não existia. Preocupava-me essa não existência. Preocupava-me o atravessar aquela vegetação e depois quedar-me num nada que não existe. Asfixia me a ideia de ser um ninguém num nada que existe. Estrangula-me o pensamento, constrange-me a consciência. Como seria o nada para lá daquelas ramagens? Como seriam as pessoas, as crianças? Como seria o sol, a chuva? Como seria tudo isso, isso, isso, naquele vácuo de existência? Não o sei. Mas penso que será: nada. E isso é o quanto me basta dizer sobre um nada que pertence a ninguém num lugar que não existe.
Escutei um não som que vinha do outro lado das ramagens. Na verdade, talvez eu tenha escutado um infra-som, uma frequência muito baixa que eu não consigo ouvir, e que por isso não existe. Desejava passar para lá desta fronteira. Saber o que se passa do outro lado. Mas não conheço o que se encontra para lá desta fronteira, e por isso não consigo alcançar aquele nada de nada que existe. Que me aconteceria se por momentos ousasse trespassar este ténue limiar que me separa do que não conheço? Cairia num infinito abismal? Num vazio intemporal, espacial? Passaria também eu a não ter existência?? Isso arrepia-me os sentidos. Mete-me em sentido!
Tenho estado de vigília permanente. Deste lado escurece. Anoitece. As pessoas passam em meu redor e tudo progride na sua natural existência. Creio ver um distante lugar para lá destas ramagens. Creio, apenas. As certezas nunca me acompanharam nesta viagem. Talvez seja apenas ilusão. Tenho dito para mim, que existe uma necessidade constante no Homem em mudar o seu mundo interior. Só assim conseguirá mudar o mundo que o rodeia.
Escutei um não som que vinha do outro lado das ramagens. Na verdade, talvez eu tenha escutado um infra-som, uma frequência muito baixa que eu não consigo ouvir, e que por isso não existe. Desejava passar para lá desta fronteira. Saber o que se passa do outro lado. Mas não conheço o que se encontra para lá desta fronteira, e por isso não consigo alcançar aquele nada de nada que existe. Que me aconteceria se por momentos ousasse trespassar este ténue limiar que me separa do que não conheço? Cairia num infinito abismal? Num vazio intemporal, espacial? Passaria também eu a não ter existência?? Isso arrepia-me os sentidos. Mete-me em sentido!
Tenho estado de vigília permanente. Deste lado escurece. Anoitece. As pessoas passam em meu redor e tudo progride na sua natural existência. Creio ver um distante lugar para lá destas ramagens. Creio, apenas. As certezas nunca me acompanharam nesta viagem. Talvez seja apenas ilusão. Tenho dito para mim, que existe uma necessidade constante no Homem em mudar o seu mundo interior. Só assim conseguirá mudar o mundo que o rodeia.
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