terça-feira, 30 de novembro de 2010

uno,

uno sou eu, meu corpo e minha alma
a caneta com que agora escrevo, do
elefante púrpura de metro e meio de
aquando era criança de quatro anos só

o perfeito caos, de movimentos, reacções e energias
no desencadeamento do próprio viver
e o mundo onde posso existir, com seu
chão que piso, e seu céu que sobre mim se estende

a maçã que hoje como, que é a melhor que já comi
a que guardo para amanhã, que será a melhor que comerei
a matéria fria de cada pedra, de cada construção
a beleza íntima de sistina, mahal ou chambord

a luz que do sol transborda,
e por entre janelas trespassa,
iluminando e aquecendo minha casa
sem pedido evidente

a luz do ser, em mim sempre presente
e que no momento do abandonar certo,
da carne fraca e perecível que me compõe,
desposar-se-á na perpetuidade do espírito mãe.

1 comentário:

  1. Óptima construção de imagens. Algumas são simples, mas enriquecem o poema pela sua simplicidade.

    O ritmo está muito bem conseguido e adequa-se perfeitamente ao tipo de imagens. O leitor tem as pausas suficientes e adequadas para pensar nas imagens que referi.

    Até agora, é sem dúvida um dos meus preferidos.

    ResponderEliminar