quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Saudade

Saudade. É este o sentimento que me vem ao pensamento, nesta tarde outonal em que corre uma suave brisa crepuscular, que dança com os meus cabelos. Saudade do tempo em que os nossos dois caminhos passaram a ser um só. Saudade de quando as nossas gargalhadas se tornavam una. Saudade do teu amor. Saudade do meu amor. Saudade.

Agora, nada jaz no meu corpo inerte, sem alma; nada para além do ódio. Odeio-te. Odeio que o nosso caminho se tenha transformado em dois caminhos claramente antagónicos. Odeio não ouvir a tua gargalhada a acompanhar a minha. Odeio não ter o teu amor. Odeio que me tenhas roubado a minha alma e que tenhas transformado o meu corpo em nada mais do que um cadáver adiado. Odeio especialmente o facto de saber que se um dia quiseres devolver a vida ao meu corpo moribundo, não hesitarei em deixar-te fazê-lo. Porque ainda sonho que o nosso caminho se unificará. Porque ainda sonho com a nossa gargalhada una. Porque ainda sonho com o teu amor. Porque ainda te amo.

Ah! Saudade…!

1 comentário:

  1. Mais um texto repleto de antíteses! Acho que começa a ser algo muito presente por aqui.

    Se eu estivesse a fazer análise deste texto do tipo psicanalítico eu diria:

    Que é um óptimo exemplo da «inspiração» que falávamos no tópico acima.

    Eu diria, que as tuas circunstâncias pessoais do momento motivaram-te a escrever este texto (como tu própria já o disseste)


    Viva a este sentimento tão português. Que esta palavra perdure até não existir quem mais tenha saudades dela.

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