quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um Não Conto

Não era uma vez um reino encantado. Não era uma história de aventuras, de romances e paixões. Não, não, não era. Não era nada disso. Decerto que não era! E contudo, podia o ser, mas de facto não o era. Não era numa terra de alguém. Talvez fosse numa terra de ninguém. Talvez. Mas, também isso não o era. Não era num castelo antigo, de pedras graníticas, de seres encantados, de criaturas fantásticas, de dragões, de duendes e feiticeiros. Não era uma vez uma bruxa, um sapo, um príncipe e uma princesa que não viveram felizes para sempre. Não o era mesmo. Não era há muito tempo, num bosque, num lago, numa casa abandonada, numa praia deserta, num mar longíquo, num horizonte não trespassado. Não era uma, não eram duas, não eram três... não era absolutamente nenhuma vez. Esqueçam, porque não era de facto nenhuma vez. Abstraiam-se de tudo o que possam imaginar. Abstraiam-se daquilo que nunca poderão imaginar. Porque, não era nada disso.
Não era uma vez um mundo de sereias, de piratas e marinheiros. Não eram oceanos, lágrimas de Poseidon, trovões imensos, iras de Zeus. Não era no Olimpo, nem no reino de Hades terreno. Não era uma vez num falso império, num lugar não lugar nunca antes sonhado. Não eram descobridores a descobrir o que não havia para descobrir, nem infantes de monóculo no rosto a olhar para o que nunca fora olhado. Não eram naus perdidas, monstros nunca sonhados e tormentas nunca passadas. Não eram barões a cantar estes feitos. Não era nada disto, não era, não era! Não eram trovadores a cantar às suas amadas. Não era uma amiga à espera do seu amigo. Ah, e não era um rei X a cantar histórias eruditas, nem poemas a El Rey num reino que não existia! Não era uma vez absolutamente, seguramente e garantidamente nada, nada e nada de nada disto. Podem estar certos que não era uma vez nada disto!


- O que era?
- Era uma vez um nada que não o era.

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