Quando era muiiiiito pucanina o mano dizia coisas que eu não percebia. Depois contava histórias. Falava de aventuras, de princesas e príncipes. Uma vez, disse que havia um lugar onde as crianças mortas iam lá parar se não fossem batizadas, e depois vinha deus e perguntava o que eles estavam ali a fazer. E depois deus dizia às crianças que iam para o céu se fossem bem comportadas, ou para o inferno se fossem mal comportadas. Depois o mano disse para eu ser uma menina bem comportada e ter sempre cuidado a passar a estrada quando ia à loja, para não ir ter com aqueles meninos. E eu não queria ir ter com aqueles meninos. Tinha medo. O mano assustava-me sempre quando dizia aquelas coisas. Primeiro eu não percebia, e depois fazia me medo. Queria era imaginar aquelas histórias que ele antes me contava. Eram mais bonitas. Os castelos, as princesas e os príncipes encantados. Gostava muito mais daquilo. Preferia muito mais. Quem me dera que o mano estivesse aqui para me contar essas histórias. Assim eu ficava mais contente. Depois já podia contar aos outros meninos a histórias que o mano me contava. E eu adormecia depois de ouvir o mano a acabar as histórias. Ele dava me um beijinho na cara e eu adormecia. Quem me dera que ele estivesse aqui. Assim era porque eu não estava aqui. Assim ele ainda me podia dizer para eu ter sempre cuidado a atravessar a estrada quando ia à loja. E era tudo melhor assim. Ainda bem que eu era uma menina bem comportada.
isso da a sensação que o mano morreu... e k passou a irmã uma educação feita por medo!
ResponderEliminarPor acaso é ao contrário!!!
ResponderEliminarNo final percebe-se que a menina atravessou a estrada sem cuidado e teve o destino fatal que a juntou aos outros!
Mas como disseste, o medo esta la sempre presente!
Eu aqui gosto é da linguagem, escreves como uma criança falaria, o que nem sempre é fácil, e nem sempre é bom - poemas de Adilia Lopes, detesto - neste caso é.
ResponderEliminarUma história trágica transmitida de forma suave, como que entre névoa, seja feita a metáfora.