sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Desculpem lá

Mas ninguém me pode arranjar um esboço de um trabalho de MTC? Tenho que entregar na segunda, mas com isto do trabalho anda tramado. Salvavam-me a vida. lols

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Que é que acham

Do pessoal tentar encontrar-se nas férias pa discutir umas coisas?
Tempo real

Mais um dia,
Acabas de almoçar,
E deitas-te no sofá.

Na cozinha, mais um prato
Por limpar.
Mais um na pilha,
Todos por limpar.

Levas as mãos à face,
É igual, é tão igual,
Tão terrivelmente igual…

Ouves aquele tic-tac,
Olhas para o relógio,
Os ponteiros passam,
O tempo passa, passa sempre.

Enfureces-te,
Agarra-lo,
Arremessa-lo, despedaça-lo.

Acalmas-te, tens que te acalmar
Segues passo-a-passo,
Passo-a-passo, passo-a-passo.

Chegas, lavas a cara suja,
Vês-te, e vês,
Como nunca viste
Aquelas rugas bem marcadas.

Gritas,
Não aguentas, não mais
E gritas, e corres

E atiras-te,
Atiras-te de cabeça,
Mas num rodopio quase
Que cais de pé.

Pouco interessa,
Estatelas-te no chão,
Quais rugas, qual cara
Já não és nada.

Nada. Só um corpo
Um corpo que jaz
Em alcatrão,

Ao lado duma poça de sangue,
Sangue enegrecido,
Onde está mergulhado um cartão
Sem nome, nem imagem,

Que hoje ficará por picar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Estrada

Quando era muiiiiito pucanina o mano dizia coisas que eu não percebia. Depois contava histórias. Falava de aventuras, de princesas e príncipes. Uma vez, disse que havia um lugar onde as crianças mortas iam lá parar se não fossem batizadas, e depois vinha deus e perguntava o que eles estavam ali a fazer. E depois deus dizia às crianças que iam para o céu se fossem bem comportadas, ou para o inferno se fossem mal comportadas. Depois o mano disse para eu ser uma menina bem comportada e ter sempre cuidado a passar a estrada quando ia à loja, para não ir ter com aqueles meninos. E eu não queria ir ter com aqueles meninos. Tinha medo. O mano assustava-me sempre quando dizia aquelas coisas. Primeiro eu não percebia, e depois fazia me medo. Queria era imaginar aquelas histórias que ele antes me contava. Eram mais bonitas. Os castelos, as princesas e os príncipes encantados. Gostava muito mais daquilo. Preferia muito mais. Quem me dera que o mano estivesse aqui para me contar essas histórias. Assim eu ficava mais contente. Depois já podia contar aos outros meninos a histórias que o mano me contava. E eu adormecia depois de ouvir o mano a acabar as histórias. Ele dava me um beijinho na cara e eu adormecia. Quem me dera que ele estivesse aqui. Assim era porque eu não estava aqui. Assim ele ainda me podia dizer para eu ter sempre cuidado a atravessar a estrada quando ia à loja. E era tudo melhor assim. Ainda bem que eu era uma menina bem comportada.



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Cartinha

Minha princesa,

Faltam 8 dias para chegares e já ando a contar até os minutos. Assim que te vir passar a porta do aeroporto, acho que não vou resistir e que te vou dar um abracinho do tamanho do MUNDO!

Lembro-me do que senti quando, há cerca de um ano e meio, te peguei ao colo pela primeira vez, tinhas tu umas horinhas de vida (cá fora, pelo menos). Senti algo a encaixar-se algures aqui dentro. Senti que, finalmente, havia encontrado uma peça que me faltava. Senti que não te conseguia largar mais. Tinha um novo motivo para viver, e para viver feliz: ver-te crescer.

Da última vez que estivemos juntas, há pouco mais de três meses, senti que também tinhas criado essa ligação comigo. Afinal, eu era a única pessoa a quem tu davas beijinhos. Gostavas de agarrar no meu dedo e de passear pela casa toda, gostavas de brincar comigo e com as almofadas, gostavas de vir a correr até mim e de te atirar para o meu colo.

Entretanto, nas conversas que temos pela internet, continuas a meter-te comigo, a contar-me as tuas coisas e a rir-te comigo. E queres dar um beijinho no ecrã do computador sempre que te peço um beijinho :) Posso não perceber palavra do que tu dizes, mas acredita que as tuas palavras dóceis me enchem o coração.

Por isso, daqui a 8 dias, acho que te vou agarrar e que nunca mais te vou deixar ir embora. Diz à mamã e ao papá que queres ficar cá, com a tua p.p. – decerto não se importarão :) Fico a contar os minutos para o teu regresso, ansiosa e impacientemente, pois já não mais consigo viver longe de ti. Volta depressa, minha piolha.

Um beijinho enorme,

Alice


[Diogo, aqui está. Segui o teu conselho. Obrigada :) ]

Influência

Escrevendo sob a influência
Parado na ténue linha
Entre a sanidade e a demência
Desta vida que é só minha

Corpo e alma a 100% explorados
Neste dia de celebração
Em que todos participam com compaixão
Nunca aborrecidos ou cansados

O sono é posto de parte
Pego na minha caneta
Faço uma obra de arte

Exploro todas as partes das minhas facetas
Removo do meu interior subconsciente
Todos os meus eus que estão aprisionados
Convivo com eles todos na minha mente
Nunca seus pensamentos serão refutados

Fazemos a festa como nunca ninguém viu
Sentimos coisas que jamais alguém sentiu
Discutimos e abordamos os mais variados temas
E desabafamos toda a nossa vida nestes poemas

Consome mais um pouco
Liberta-te
Deixa sair o louco
Perde-te
Viaja enquanto fechas os olhos
Viva a vida saboreia todos os molhos

Segue o teu rumo
Deixa-te levar
Não ligues ao fumo
Sabes que estás a gostar

Depressão da Negação

Vivo diariamente na solidão
do quotidiano sem sensação.
Cresce o vazio,
deixa-me só e com frio.

Careço de qualquer tipo de vontade...
Estarei assim para toda a eternidade?
Falta-me todo o tipo de sentimento,
excepto o meu enorme sofrimento,
enquanto memórias torturantes
me tormentam a todos os instantes.

Abdiquei de toda a minha personalidade
após descobrir a dolorosa verdade.
Por vezes uma piedosa mentira
consegue vencer uma verdade que me revira,
todo o tracto digestivo
que se queixa por um bom motivo.
Nada por ele passa há dias,
arranham-me estas entranhas vazias.

O meu anteriormente
quente
coração
está gelado e duro
como uma bala de canhão,
prestes a ser disparado para fora do meu peito.
Arrancado a sangue-frio mesmo dentro do meu leito.
Já não possuo qualquer tipo de interacção,
esqueço lentamente o discurso e dicção.

As palavras não usadas
mantêm-se nas bocas sobrelotadas.
Tirem-me desta depressão
da negação.
Antes que ela me sugue toda a vivacidade.
Tudo isto parece uma encenação.
A Morte aproxima-se com sorrateira crueldade.


João Barreto

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Inspiração, o que é, o quão importante é?

É uma discussão bastante comum, a importância da chamada inspiração para o acto da escrita. Para vocês o que é a inspiração, pensam que ela vos influencia quando escreve ou pelo contrário, pensam que é algo que depende mais de coisas simples como vontade e trabalho?

Um Não Conto

Não era uma vez um reino encantado. Não era uma história de aventuras, de romances e paixões. Não, não, não era. Não era nada disso. Decerto que não era! E contudo, podia o ser, mas de facto não o era. Não era numa terra de alguém. Talvez fosse numa terra de ninguém. Talvez. Mas, também isso não o era. Não era num castelo antigo, de pedras graníticas, de seres encantados, de criaturas fantásticas, de dragões, de duendes e feiticeiros. Não era uma vez uma bruxa, um sapo, um príncipe e uma princesa que não viveram felizes para sempre. Não o era mesmo. Não era há muito tempo, num bosque, num lago, numa casa abandonada, numa praia deserta, num mar longíquo, num horizonte não trespassado. Não era uma, não eram duas, não eram três... não era absolutamente nenhuma vez. Esqueçam, porque não era de facto nenhuma vez. Abstraiam-se de tudo o que possam imaginar. Abstraiam-se daquilo que nunca poderão imaginar. Porque, não era nada disso.
Não era uma vez um mundo de sereias, de piratas e marinheiros. Não eram oceanos, lágrimas de Poseidon, trovões imensos, iras de Zeus. Não era no Olimpo, nem no reino de Hades terreno. Não era uma vez num falso império, num lugar não lugar nunca antes sonhado. Não eram descobridores a descobrir o que não havia para descobrir, nem infantes de monóculo no rosto a olhar para o que nunca fora olhado. Não eram naus perdidas, monstros nunca sonhados e tormentas nunca passadas. Não eram barões a cantar estes feitos. Não era nada disto, não era, não era! Não eram trovadores a cantar às suas amadas. Não era uma amiga à espera do seu amigo. Ah, e não era um rei X a cantar histórias eruditas, nem poemas a El Rey num reino que não existia! Não era uma vez absolutamente, seguramente e garantidamente nada, nada e nada de nada disto. Podem estar certos que não era uma vez nada disto!


- O que era?
- Era uma vez um nada que não o era.

Saudade

Saudade. É este o sentimento que me vem ao pensamento, nesta tarde outonal em que corre uma suave brisa crepuscular, que dança com os meus cabelos. Saudade do tempo em que os nossos dois caminhos passaram a ser um só. Saudade de quando as nossas gargalhadas se tornavam una. Saudade do teu amor. Saudade do meu amor. Saudade.

Agora, nada jaz no meu corpo inerte, sem alma; nada para além do ódio. Odeio-te. Odeio que o nosso caminho se tenha transformado em dois caminhos claramente antagónicos. Odeio não ouvir a tua gargalhada a acompanhar a minha. Odeio não ter o teu amor. Odeio que me tenhas roubado a minha alma e que tenhas transformado o meu corpo em nada mais do que um cadáver adiado. Odeio especialmente o facto de saber que se um dia quiseres devolver a vida ao meu corpo moribundo, não hesitarei em deixar-te fazê-lo. Porque ainda sonho que o nosso caminho se unificará. Porque ainda sonho com a nossa gargalhada una. Porque ainda sonho com o teu amor. Porque ainda te amo.

Ah! Saudade…!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

uno,

uno sou eu, meu corpo e minha alma
a caneta com que agora escrevo, do
elefante púrpura de metro e meio de
aquando era criança de quatro anos só

o perfeito caos, de movimentos, reacções e energias
no desencadeamento do próprio viver
e o mundo onde posso existir, com seu
chão que piso, e seu céu que sobre mim se estende

a maçã que hoje como, que é a melhor que já comi
a que guardo para amanhã, que será a melhor que comerei
a matéria fria de cada pedra, de cada construção
a beleza íntima de sistina, mahal ou chambord

a luz que do sol transborda,
e por entre janelas trespassa,
iluminando e aquecendo minha casa
sem pedido evidente

a luz do ser, em mim sempre presente
e que no momento do abandonar certo,
da carne fraca e perecível que me compõe,
desposar-se-á na perpetuidade do espírito mãe.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Uma vida normal

Outra vez aquele som irritante, acordas
A custo abres os olhos, não te queres levantar
Apetece-te ficar na cama, dormitar
Mas lá te levantas, é só mais um dia
Rapidamente, lá chegas.
Aquela mesma sala,
Com aquela pessoa de (quase) todos os dias
E ela lá vai falando, e toda aquela sua fala aborrece-te.
Distrais-te, olhas pela janela, está Sol,
Lá de fora algo te parece chamar. Ignoras.
Concentras-te, quem fala merece ser ouvido, merece respeito
E tu tens que a ouvir e respeitar.
Vá, acaba esse esforço necessário, tens tempo para os teus amigos
Eles percebem-te, relaxa, umas quantas boas saídas
Daquelas em que no final só te consegues deitar.
Deixas aquela mesma sala, vais para outras
Sonhavas ser músico ou poeta, seguiste engenharia.
Dizem que tem mais futuro.
Sais de casa, festa e bebida começam a ser rotina
Coleccionas conquistas, sexo também passa a ser rotineiro
Não te significa nada, mas é bom, do outro lado é o mesmo
Porquê preocupares-te?
Sem demorar muito, concluis o teu percurso académico
Os teus pais ficam orgulhosos, tens direito a uma festa
És doutor.
Arranjas emprego num ápice, um bom emprego
Em pouco tempo mudas-te para um apartamento semi-luxuoso,
Nunca tiveste noites tão cómodas.
Aparentemente apaixonas-te, pela primeira vez sentes alguma coisa
Encontram-se umas quantas vezes, tudo corre do melhor
Ou assim te parece
Do nada, ela decide deixar te ver, não te dá explicações
Não tem mal, não te vais abaixo à primeira contrariedade,
És um Homem.
Um dia distrais-te ao atravessar uma estrada qualquer, quando dás por isso só vês uma luz a aproximar-se velozmente e…

Outra vez aquele som irritante, acordaste
A custo abriste os olhos, não te querias levantar
Apetecia-te ficar na cama, dormitar
Ficar na cama? Dormitar? Quanto da tua existência desperdiçaste a não fazer nenhum?Mas lá te levantaste, era só mais um dia
Só mais um dia, que amor ao viver.
Rapidamente, lá chegaste. Aquela mesma sala,
Com aquela pessoa de (quase) todos os dias
E ela lá ia falando, e toda aquela sua fala aborreceu-te.
Distraíste-te, olhaste pela janela, estava Sol,
Lá de fora algo te pareceu chamar. Ignoraste.
Ignoraste. Sempre ignoraste, porque é que nunca saíste?
Aquela sala sempre teve uma porta, que tanto era de entrada ou de saída.
Porque é que nunca a usaste, e respiraste um pouco para variar?
Concentraste-te, quem falava merecia ser ouvido, merecia respeito
E tu tinhas que a ouvir e respeitar.
Nunca pensaste na razão de teres que a ouvir e respeitar?
Acabaste esse esforço necessário, tiveste tempo para os teus amigos
Julgavas que eles te percebiam,
Mas perdeste o número às vezes em que sentias deslocado
Chegavas ao teu quarto, e deitavas-te, sentias-te sozinho, terrivelmente sozinho.
Deixaste aquela mesma sala, foste para outras
Sonhaste ser músico ou poeta,
A tua velha guitarra ficou no sótão a ganhar pó,
Os teus rascunhos foram para o lixo.
Seguiste engenharia,
Nunca te perdoaste por isso.
Diziam que tinha mais futuro,
E tu nunca disseste nada, preferiste sempre ficar calado.
Saíste de casa, festa e bebida começaram a ser rotina
Coleccionaste conquistas, sexo também passa a ser rotineiro
As tuas novas rotinas nunca te deixaram feliz,fizeste com que umas quantas raparigas chorassem por ti.
Fizeste de conta que isso não te importava.
Chegou uma altura em que te olhavas ao espelho com nojo, vias-te como uma pessoa suja e vazia. Talvez o fosses.
Concluíste o teu percurso académico,
Mesmo a tempo,
Estavas a sufocar, não aguentavas mais.
Os teus pais ficaram orgulhosos, tiveste direito a uma festa
Tu, não te sentes minimamente diferente.
Arranjaste emprego num ápice,
Querias tirar um ano para ti, finalmente,
Para viajar,
Para fazer algo que sentisses que valesse a pena,
Resolveste não o fazer,
Tempo para isso no futuro não te faltaria.
Era um daqueles empregos que rendia bem,
Mas te enfadava sem fim,
Pagava as contas e os demais, enfim.Deste por ti num apartamento semi-luxuoso,
Nunca tiveste noites tão amargas,
Fechado sobre aquelas paredes que tanto te custaram,
A tua melhor companhia era o tinto barato.
Apaixonaste-te, pela primeira vez sentistes alguma coisa
Sabes que sentiste alguma coisa, jamais o duvidaste
Encontraram-se umas quantas vezes, tudo corria do melhor
Ou assim te pareceu
Do nada, ela decidiu deixar de te ver, não te deu explicações.
Foste-te abaixo,
Arrogantemente, derramaste as lágrimas na tua almofada de dormir
Já mal suportavas a vida que levavas, e esta foi a última gota que precisavas
Um dia desististe,
Afinal quando é que ela valeu a pena?
Cabisbaixo, numa estrada movimentada, deste um passo em frente.O único que deste.
Só viste uma luz a aproximar-se velozmente e…

Foi inútil.

«Desabafo»

Ora bem, uma das minhas características é que eu, quando tenho algo para dizer, tenho mesmo de o dizer, senão não me sinto bem comigo própria. E calharam vocês na rifa (não se assustem, já vão perceber o porquê :p ), por isso aqui vai:

Com a minha melhor amiga em Londres e um namorado que só me critica, sinto-me só, abandonada. Sinto-me triste e não tenho com quem desabafar. Sinto falta de rir (ai, as saudades que tenho de uma boa gargalhada), de falar. Preciso dum ombro para chorar, alguém que me oiça gritar, disparatar, praguejar. Estou farta de parecer um fantasma, de ser ignorada, esquecida. Quero ser vista, quero ser ouvida, quero ser reconhecida. Quero viver.

p.s.- como podem ver, até nos meus «desabafos» sou um tanto quanto dramática (outra das minhas características - vivo as coisas muito intensamente, dando-lhes, por vezes, mais importância do que, de facto, têm).

Pergunta

Olá a todos.

Podemos postar também «desabafos» ou apenas «obras» nossas?

Nada me parecia mais sincero do que as tuas palavras reconfortantes - preenchiam o vazio dentro de mim e, a seu tempo, tornaram-se essenciais, imprescindíveis. Tínhamos longas conversas sobre tudo, sobre nada, sobre um copo meio cheio ou um copo meio vazio. Agora, tudo é nada e todos os copos estão vazios. Faltam-me as tuas palavras reconfortantes, faltam-me os teus braços quentes em redor do meu corpo gelado. Faltas-me. Secretamente, ainda sinto a falta do tudo que me davas, mas cansei-me de to pedir de volta. Foste cruel e quase transformavas o tudo em nada. Prefiro ter-te como memória de tudo, do que como um nada real.