sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Desculpem lá
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Mais um dia,
Acabas de almoçar,
E deitas-te no sofá.
Na cozinha, mais um prato
Por limpar.
Mais um na pilha,
Todos por limpar.
Levas as mãos à face,
É igual, é tão igual,
Tão terrivelmente igual…
Ouves aquele tic-tac,
Olhas para o relógio,
Os ponteiros passam,
O tempo passa, passa sempre.
Enfureces-te,
Agarra-lo,
Arremessa-lo, despedaça-lo.
Acalmas-te, tens que te acalmar
Segues passo-a-passo,
Passo-a-passo, passo-a-passo.
Chegas, lavas a cara suja,
Vês-te, e vês,
Como nunca viste
Aquelas rugas bem marcadas.
Gritas,
Não aguentas, não mais
E gritas, e corres
E atiras-te,
Atiras-te de cabeça,
Mas num rodopio quase
Que cais de pé.
Pouco interessa,
Estatelas-te no chão,
Quais rugas, qual cara
Já não és nada.
Nada. Só um corpo
Um corpo que jaz
Em alcatrão,
Ao lado duma poça de sangue,
Sangue enegrecido,
Onde está mergulhado um cartão
Sem nome, nem imagem,
Que hoje ficará por picar.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
A Estrada
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Cartinha
Minha princesa,
Faltam 8 dias para chegares e já ando a contar até os minutos. Assim que te vir passar a porta do aeroporto, acho que não vou resistir e que te vou dar um abracinho do tamanho do MUNDO!
Lembro-me do que senti quando, há cerca de um ano e meio, te peguei ao colo pela primeira vez, tinhas tu umas horinhas de vida (cá fora, pelo menos). Senti algo a encaixar-se algures aqui dentro. Senti que, finalmente, havia encontrado uma peça que me faltava. Senti que não te conseguia largar mais. Tinha um novo motivo para viver, e para viver feliz: ver-te crescer.
Da última vez que estivemos juntas, há pouco mais de três meses, senti que também tinhas criado essa ligação comigo. Afinal, eu era a única pessoa a quem tu davas beijinhos. Gostavas de agarrar no meu dedo e de passear pela casa toda, gostavas de brincar comigo e com as almofadas, gostavas de vir a correr até mim e de te atirar para o meu colo.
Entretanto, nas conversas que temos pela internet, continuas a meter-te comigo, a contar-me as tuas coisas e a rir-te comigo. E queres dar um beijinho no ecrã do computador sempre que te peço um beijinho :) Posso não perceber palavra do que tu dizes, mas acredita que as tuas palavras dóceis me enchem o coração.
Por isso, daqui a 8 dias, acho que te vou agarrar e que nunca mais te vou deixar ir embora. Diz à mamã e ao papá que queres ficar cá, com a tua p.p. – decerto não se importarão :) Fico a contar os minutos para o teu regresso, ansiosa e impacientemente, pois já não mais consigo viver longe de ti. Volta depressa, minha piolha.
Um beijinho enorme,
Alice
[Diogo, aqui está. Segui o teu conselho. Obrigada :) ]
Influência
Depressão da Negação
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Inspiração, o que é, o quão importante é?
Um Não Conto
Não era uma vez um mundo de sereias, de piratas e marinheiros. Não eram oceanos, lágrimas de Poseidon, trovões imensos, iras de Zeus. Não era no Olimpo, nem no reino de Hades terreno. Não era uma vez num falso império, num lugar não lugar nunca antes sonhado. Não eram descobridores a descobrir o que não havia para descobrir, nem infantes de monóculo no rosto a olhar para o que nunca fora olhado. Não eram naus perdidas, monstros nunca sonhados e tormentas nunca passadas. Não eram barões a cantar estes feitos. Não era nada disto, não era, não era! Não eram trovadores a cantar às suas amadas. Não era uma amiga à espera do seu amigo. Ah, e não era um rei X a cantar histórias eruditas, nem poemas a El Rey num reino que não existia! Não era uma vez absolutamente, seguramente e garantidamente nada, nada e nada de nada disto. Podem estar certos que não era uma vez nada disto!
- O que era?
- Era uma vez um nada que não o era.
Saudade
Saudade. É este o sentimento que me vem ao pensamento, nesta tarde outonal em que corre uma suave brisa crepuscular, que dança com os meus cabelos. Saudade do tempo em que os nossos dois caminhos passaram a ser um só. Saudade de quando as nossas gargalhadas se tornavam una. Saudade do teu amor. Saudade do meu amor. Saudade.
Agora, nada jaz no meu corpo inerte, sem alma; nada para além do ódio. Odeio-te. Odeio que o nosso caminho se tenha transformado em dois caminhos claramente antagónicos. Odeio não ouvir a tua gargalhada a acompanhar a minha. Odeio não ter o teu amor. Odeio que me tenhas roubado a minha alma e que tenhas transformado o meu corpo em nada mais do que um cadáver adiado. Odeio especialmente o facto de saber que se um dia quiseres devolver a vida ao meu corpo moribundo, não hesitarei em deixar-te fazê-lo. Porque ainda sonho que o nosso caminho se unificará. Porque ainda sonho com a nossa gargalhada una. Porque ainda sonho com o teu amor. Porque ainda te amo.
Ah! Saudade…!
terça-feira, 30 de novembro de 2010
uno sou eu, meu corpo e minha alma
a caneta com que agora escrevo, do
elefante púrpura de metro e meio de
aquando era criança de quatro anos só
o perfeito caos, de movimentos, reacções e energias
no desencadeamento do próprio viver
e o mundo onde posso existir, com seu
chão que piso, e seu céu que sobre mim se estende
a maçã que hoje como, que é a melhor que já comi
a que guardo para amanhã, que será a melhor que comerei
a matéria fria de cada pedra, de cada construção
a beleza íntima de sistina, mahal ou chambord
a luz que do sol transborda,
e por entre janelas trespassa,
iluminando e aquecendo minha casa
sem pedido evidente
a luz do ser, em mim sempre presente
e que no momento do abandonar certo,
da carne fraca e perecível que me compõe,
desposar-se-á na perpetuidade do espírito mãe.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Outra vez aquele som irritante, acordas
A custo abres os olhos, não te queres levantar
Apetece-te ficar na cama, dormitar
Mas lá te levantas, é só mais um dia
Rapidamente, lá chegas.
Aquela mesma sala,
Com aquela pessoa de (quase) todos os dias
E ela lá vai falando, e toda aquela sua fala aborrece-te.
Distrais-te, olhas pela janela, está Sol,
Lá de fora algo te parece chamar. Ignoras.
Concentras-te, quem fala merece ser ouvido, merece respeito
E tu tens que a ouvir e respeitar.
Vá, acaba esse esforço necessário, tens tempo para os teus amigos
Eles percebem-te, relaxa, umas quantas boas saídas
Daquelas em que no final só te consegues deitar.
Deixas aquela mesma sala, vais para outras
Sonhavas ser músico ou poeta, seguiste engenharia.
Dizem que tem mais futuro.
Sais de casa, festa e bebida começam a ser rotina
Coleccionas conquistas, sexo também passa a ser rotineiro
Não te significa nada, mas é bom, do outro lado é o mesmo
Porquê preocupares-te?
Sem demorar muito, concluis o teu percurso académico
Os teus pais ficam orgulhosos, tens direito a uma festa
És doutor.
Arranjas emprego num ápice, um bom emprego
Em pouco tempo mudas-te para um apartamento semi-luxuoso,
Nunca tiveste noites tão cómodas.
Aparentemente apaixonas-te, pela primeira vez sentes alguma coisa
Encontram-se umas quantas vezes, tudo corre do melhor
Ou assim te parece
Do nada, ela decide deixar te ver, não te dá explicações
Não tem mal, não te vais abaixo à primeira contrariedade,
És um Homem.
Um dia distrais-te ao atravessar uma estrada qualquer, quando dás por isso só vês uma luz a aproximar-se velozmente e…
Outra vez aquele som irritante, acordaste
A custo abriste os olhos, não te querias levantar
Apetecia-te ficar na cama, dormitar
Ficar na cama? Dormitar? Quanto da tua existência desperdiçaste a não fazer nenhum?Mas lá te levantaste, era só mais um dia
Só mais um dia, que amor ao viver.
Rapidamente, lá chegaste. Aquela mesma sala,
Com aquela pessoa de (quase) todos os dias
E ela lá ia falando, e toda aquela sua fala aborreceu-te.
Distraíste-te, olhaste pela janela, estava Sol,
Lá de fora algo te pareceu chamar. Ignoraste.
Ignoraste. Sempre ignoraste, porque é que nunca saíste?
Aquela sala sempre teve uma porta, que tanto era de entrada ou de saída.
Porque é que nunca a usaste, e respiraste um pouco para variar?
Concentraste-te, quem falava merecia ser ouvido, merecia respeito
E tu tinhas que a ouvir e respeitar.
Nunca pensaste na razão de teres que a ouvir e respeitar?
Acabaste esse esforço necessário, tiveste tempo para os teus amigos
Julgavas que eles te percebiam,
Mas perdeste o número às vezes em que sentias deslocado
Chegavas ao teu quarto, e deitavas-te, sentias-te sozinho, terrivelmente sozinho.
Deixaste aquela mesma sala, foste para outras
Sonhaste ser músico ou poeta,
A tua velha guitarra ficou no sótão a ganhar pó,
Os teus rascunhos foram para o lixo.
Seguiste engenharia,
Nunca te perdoaste por isso.
Diziam que tinha mais futuro,
E tu nunca disseste nada, preferiste sempre ficar calado.
Saíste de casa, festa e bebida começaram a ser rotina
Coleccionaste conquistas, sexo também passa a ser rotineiro
As tuas novas rotinas nunca te deixaram feliz,fizeste com que umas quantas raparigas chorassem por ti.
Fizeste de conta que isso não te importava.
Chegou uma altura em que te olhavas ao espelho com nojo, vias-te como uma pessoa suja e vazia. Talvez o fosses.
Concluíste o teu percurso académico,
Mesmo a tempo,
Estavas a sufocar, não aguentavas mais.
Os teus pais ficaram orgulhosos, tiveste direito a uma festa
Tu, não te sentes minimamente diferente.
Arranjaste emprego num ápice,
Querias tirar um ano para ti, finalmente,
Para viajar,
Para fazer algo que sentisses que valesse a pena,
Resolveste não o fazer,
Tempo para isso no futuro não te faltaria.
Era um daqueles empregos que rendia bem,
Mas te enfadava sem fim,
Pagava as contas e os demais, enfim.Deste por ti num apartamento semi-luxuoso,
Nunca tiveste noites tão amargas,
Fechado sobre aquelas paredes que tanto te custaram,
A tua melhor companhia era o tinto barato.
Apaixonaste-te, pela primeira vez sentistes alguma coisa
Sabes que sentiste alguma coisa, jamais o duvidaste
Encontraram-se umas quantas vezes, tudo corria do melhor
Ou assim te pareceu
Do nada, ela decidiu deixar de te ver, não te deu explicações.
Foste-te abaixo,
Arrogantemente, derramaste as lágrimas na tua almofada de dormir
Já mal suportavas a vida que levavas, e esta foi a última gota que precisavas
Um dia desististe,
Afinal quando é que ela valeu a pena?
Cabisbaixo, numa estrada movimentada, deste um passo em frente.O único que deste.
Só viste uma luz a aproximar-se velozmente e…
Foi inútil.
«Desabafo»
Com a minha melhor amiga em Londres e um namorado que só me critica, sinto-me só, abandonada. Sinto-me triste e não tenho com quem desabafar. Sinto falta de rir (ai, as saudades que tenho de uma boa gargalhada), de falar. Preciso dum ombro para chorar, alguém que me oiça gritar, disparatar, praguejar. Estou farta de parecer um fantasma, de ser ignorada, esquecida. Quero ser vista, quero ser ouvida, quero ser reconhecida. Quero viver.
p.s.- como podem ver, até nos meus «desabafos» sou um tanto quanto dramática (outra das minhas características - vivo as coisas muito intensamente, dando-lhes, por vezes, mais importância do que, de facto, têm).
Nada me parecia mais sincero do que as tuas palavras reconfortantes - preenchiam o vazio dentro de mim e, a seu tempo, tornaram-se essenciais, imprescindíveis. Tínhamos longas conversas sobre tudo, sobre nada, sobre um copo meio cheio ou um copo meio vazio. Agora, tudo é nada e todos os copos estão vazios. Faltam-me as tuas palavras reconfortantes, faltam-me os teus braços quentes em redor do meu corpo gelado. Faltas-me. Secretamente, ainda sinto a falta do tudo que me davas, mas cansei-me de to pedir de volta. Foste cruel e quase transformavas o tudo em nada. Prefiro ter-te como memória de tudo, do que como um nada real.