Bem e mal, infinidade e acaso
A vida é
O cego que ama as cores
O não cego que idolatra o cinzento
O lírio verde que resiste num campo de rosas vermelhas
A criança que num dia outonal rejubila ao saltar nas folhas caducas caídas sobre o chão enquanto os adultos cabisbaixos as pisam apenas por se encontrarem no seu caminho
A repugnância do sexo
A beleza do amor
O ladrão que trajado de negro rouba por lealdade ao amigo acamado
O padre que sempre de branco apregoa por si e pelos seus receios da própria mortalidade
O canceroso que saboreia intensamente cada refeição como se fosse sua última e que saboreará a sua última sem saber que é a sua última
O jovem deprimido que é deprimido sem razão e por tal abre mais a ferida da eternidade derramando ainda álcool por cima e deixando-a contorcer-se em agonia
É o Sol cândido e a Lua flamejante brincando nessa mesma eternidade
É aquele rapaz e aquela rapariga que tantas vezes se cruzaram sem se falar sem sequer se olhar não sabendo o futuro
É aquela futura mulher que deixará o mundo sem nunca ver os olhos do seu filho
O marido que passará a viúvo para além da dor e alegria
O finalmente avô orgulhoso que será também pai enlutado
O enterro onde estará Deus tal coveiro e o Diabo derramará uma lágrima
A intemporalidade vã
O infinito limitado.
Espectacular ;) a tua estranha maneira de ver ajuda-me a crescer :D [] abraço
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